E porque você gosta tanto dela?
- Porque ela não é comum como as outras pessoas. Ela é extremamente decidida, sabe o que quer e não deixa que os outros digam que ela não vai conseguir. Ela sabe que pode muito bem viver sozinha, mas finge que é dependente pra que eu me sinta bem. Ela não concorda com tudo o que eu digo e isso mostra que ela tem opinião. E quando essas nossas opiniões são muito divergentes, discutimos o tema civilizadamente, um contribuindo com o outro. Ela tem a capacidade de me fazer sorrir só por estar ocupando os meus pensamentos. Tudo nela me faz crer que vale a pena, sabe? Eu simplesmente penso nela e sei que esses meses não foram em vão; sei que o que nós estamos construindo vai muito além dessas relações frívolas dos dias de hoje. Eu sinto uma coisa aqui dentro, dentro de mim, que não me deixa esquecê-la. Que faz com que eu me lembre dela até mesmo numa xícara de café, eu ouço a sua voz naquela música, eu sinto seu beijo naqueles dias mais frios… Eu enxergo um futuro pra gente até mesmo de olhos fechados.
- Então é amor.
- Talvez. Eu digo que a amo com uma frequência assustadora. Eu tenho necessidade de dizer. Mas eu não sei realmente o que é o amor. Se for ficar com a mesma pessoa na cabeça vinte e quatro horas por dia, então eu a amo. Se for entrar em desespero por cada segundo que eu não pude (e nem posso) tocá-la, então eu a amo. Se for querer esquecê-la algumas vezes por medo de me machucar, então eu a amo. Se for achar pedaços dela no meu dia, então eu a amo. Se for querer impressioná-la cada vez mais, então eu a amo. Se respirá-la for amor, então eu amo.
- Mas você nunca esteve perto dela, você nunca a abraçou, nunca sentiu o cheiro dela… Vocês dois são completos estranhos.
- Absolutamente. Nós não nos conhecemos fisicamente, mas eu a conheço muito mais do que muitas pessoas que a cercam. Eu conheço os medos e alegrias dela, os momentos de fraqueza… Muitas vezes eu sei até mesmo o que ela está pensando, sem ela sequer mencionar. É claro que eu sinto aquele vazio de nunca ter sentido a pele dela na minha, o cheiro dela, de ter sentido sua respiração perto de mim… E como essas coisas dóem. Como dói pensar que ela está longe, que é quase inalcançável. Como dói pensar que tem dias que eu preciso exatamente do abraço dela, mas eu não tenho… Dói e dói, mas o que eu posso fazer? E não me arrependo por ter caído de cara nessa paixão, nessa… Coisa. Se precisasse eu faria tudo de novo, porque ela é uma das melhores partes de mim hoje. Ela faz com que eu me sinta vivo. Ela é tudo.
Caio F. Abreu
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